A fotografia pode ser utilizada como instrumento de afeto, agindo como fio condutor das relações entre o autor e o seu entorno. Essa proximidade com o íntimo, visto às vezes sob o parâmetro da lupa ou do binóculo, estimula a reflexão sobre a realidade e as relações mais próximas sob o jogo da aproximação e do distanciamento. Mas esse instrumento pode ser lançado mão tanto para provocar a transformação social, ativando a sensibilidade e a reflexão, como também pode ser um espaço artístico, onde o autor tem a liberdade total de expressão.

Assim, neste campo híbrido, permeado por questões sociais e poéticas, lançamos a proposição para os fotógrafos do Programa Imagens do Povo – realizado pelo Observatório de Favelas e localizado na Maré no Rio de Janeiro – desenvolverem ensaios sobre o espaço íntimo, seja ele territorial ou afetivo.

A própria compreensão do termo território aqui proposto pode ser múltipla, podendo ser relacionada ao lugar, aos espaços urbanos, com destaque para as áreas populares, como o Programa Imagens do Povo costuma se dedicar, mas também para a análise da sociedade e do poder. E a relação do poder é posto a prova no processo de transformação das áreas populares do Rio de Janeiro, que tem sido frequentemente abordado por estes fotógrafos, onde o processo de remoções compulsórias tem transformado imperativamente a vida de muitas famílias, e as imposto novos códigos sociais e culturais.

Por detrás desta transformação social, existe o questionamento de que cidade nós desejamos, e fica claro que nós desejamos uma cidade onde haja respeito, onde os direitos de cada cidadão sejam preservados, independente de condição social, raça ou gênero. Por fim este projeto se propôs a um mergulho no mais íntimo, no mais pontual para apresentar-se global: Somos todos iguais e temos direitos que devem ser respeitados.

Bruno Veiga e Joana Mazza
Curadores

Participaram do projeto: